Maria Falcão
Genética, genoma, gen, DNA e afins são termos que ouvimos com freqüência hoje em dia. Mas, assim como muitas outras informações que recebemos nesse mundo de excessos, não sabemos o que fazer com ou o que dizer a respeito de muitos deles.É o caso do aconselhamento genético. Acho que todo mundo imagina o que é, sabe mais ou menos para que serve, mais ou menos como é feito, mais ou menos quais suas indicações, mais ou menos isso e mais ou menos aquilo.
No fim de semana, conversando com uma amiga que vai se casar em breve, e cujo noivo tem um irmão que tem fibrose cística, ela perguntou qual a minha opinião a respeito dessa prática - porque tem medo, se um dia tiver um filho com ele, de esse filho vir a ter o problema também. E como eu me incluo no rol dos que sabem mais ou menos sobre esse tema, prometi me informar e conversar com ela depois.
Bem, fiz uma busca na Internet sobre o assunto e achei muita coisa legal e importante para ser divulgada. É uma infinidade de sites e artigos. Dentre os que consegui dar uma olhada mais demorada, os que mais gostei foram: http://genetichealth.com, http://www.genetics.emory.edu, http://www.ncbi.nlm.nih.gov/disease (National Center for Biotechnology Information), e http://www.ornl.gov/sci/techresources/Human_Genome/medicine/medicine.shtml (Projeto Genoma Humano). No site do National Center for Biotechnology Information é possível até clicar sobre cada cromossomo e ver a quais doenças suas partes podem estar relacionadas.
Para facilitar a vida dos leitores que estejam procurando por respostas rápidas, elaborei algumas perguntas e respostas que fazem um resumo mais simples do assunto:
Qual a finalidade do aconselhamento genético?
Informar um indivíduo sobre o seu risco de possuir uma doença hereditária. Em caso de identificaçao de alguma alteração genética, informá-lo sobre a condição dessa alteração, a probabilidade ou risco de desenvolvê-la ou transmiti-la para os descendentes, e as opções para prevenção ou melhora.
No que se baseia o aconselhamento genético?
Numa análise cromossômica do indivíduo, casal ou família, através da qual o geneticista procura caracteres anormais suscetíveis de serem desenvolvidos ou transmitidos, com o intuito de: confirmar, diagnosticar ou manejar uma condição genética; identificar a melhor conduta terapêutica; calcular e comunicar os riscos genéticos; prover ou organizar apoio psicológico.
Por que fazer aconselhamento genético?
Muitos casais deixam de ter um ou mais filhos, porque eles ou familiares tiveram uma gestação ou um filho com uma doença genética; para permitir um planejamento familiar de melhor qualidade nesta e em futuras gerações; para compreender melhor as causas de doenças nas famílias.
Como se transmite à descendência as anomalias genéticas?
A concepção de um novo ser ocorre a partir das células reprodutoras: o espermatozóide e o óvulo. Da união dessas células surge o ovo ou zigoto, que contém em seu interior toda a informação genética necessária para o desenvolvimento de um ser humano. Qualquer erro ou mudança na informação armazenada pelas células reprodutoras será transmitido à descendência que receber o cromossomo anormal. Em alguns casos, mesmo que os cromossomos sejam normais, aparecem anomalias na descendência devido ao aumento do número de cromossomos, à sua ruptura ou a fenômenos de translocação.
No caso de os pais sofrerem de alguma anomalia hereditária, esta poderá aparecer em toda a descendência?
A maioria das doenças genéticas conhecidas são distúrbios recessivos. Nestes casos, são necessárias duas cópias anormais de um determinado gene para que ele se expresse. A Fibrose Cística é um exemplo de distúrbio recessivo - uma cópia do gene foi herdada da mãe e outra, do pai. Uma pessoa que possua apenas uma cópia anormal de um gene para um certo distúrbio recessivo é conhecida como portadora. Ela não desenvolverá a doença, mas poderá passar o gene para seus filhos. Se ambos os pais forem portadores, seus filhos terão uma chance em 4 de desenvolver aquela doença, e 50% de chances de serem portadores de uma cópia anormal do gene.
Que doenças ou anomalias são mais conhecidas?
Para responder a essa pergunta, veja abaixo as principais doenças relacionadas a cada cromossomo humano:
1: GBA - Doença de Gaucher, HPC1 - Câncer da próstata, GLC1A - Glaucoma, PS2 (AD4) - Doença de Alzheimer.
2: ETM2 - Tremor essencial, MSH2 - Câncer de cólon, MSH6 - Câncer de cólon, PAX3 - Síndrome de Waardenburg.
3: VHL - Doença de Von Hippel-Lindau, SLC1 - Câncer pulmonar, MLH1 - Câncer de cólon, ETM1 - Tremor essencial.
4: HD - Doença de Huntington, EVC - Doença de Ellis-van Creveld, Alpha-sincleína - Doença de Parkinson.
5: SRD51A - esteróide 5-alfa redutase, 1CSA - Síndrome de Cockayne, DTD - displasia diastrófica, Asma.
6: SCA1 - atrofia espinocelular, IDDM1 - diabetes, EPM2A - Epilepsia.
7: GCK - Diabetes, ELN - Síndrome de Weilliams, CFTR - Fibrose cística, OB - Obesidade, Síndrome de Pendred.
8: WRN - Síndrome de Werner, MYC - Linfoma de Burkitt.
9: CDKN2 - Melanoma Maligno, FRDA - Ataxia de Friedriech, ABC1 - Doença de Tangier, ABL - Leucemia Mielóide Crônica, TSC1 - Esclerose Tuberosa.
10: PAHX - doença de Refsum.
11: HRAS - ras Oncogene de Harvey, LQT1 - Síndrome do QT longo, IDDM2 - Diabetes, HBB - Drepanocitose MEN1 - Neoplasia Endócrina Múltipla, ATM - Teleangiectasia Atáxica.
12: PXR1 - Síndrome de Zellweger, PAH - Fenilcetonúria.
13: CX26 - Surdez Neurossensorial Recessiva Autossômica, BRCA2 - Câncer de Mama RB1 - Retinoblastoma, ATP7B - Doença de Wilson.
14: PS1 (AD3) - doença de Alzheimer.
15: SNRPN - Síndrome de Prader-Willi, UBE3A - Síndrome de Angelman, FBN1 - Síndrome de Marfan.
16: FMF - Febre Familiar do Mediterrâneo, PKD1 - Doença Renal Policística Doença de Crohn.
17: p53 - Proteína de Supressão Tumoral, CMT1A - Síndrome de Charcot-Marie-Tooth BRCA1 - Câncer de Mama.
18: NPC1 - Doença de Niemann-Pick, DPC4 (Smad4) - Câncer Pancreático.
19: APOE - Aterosclerose, DM - Distrofia Miotônica.
20: ADA1 - Imunodeficiência Severa Combinada.
21: SOD1 - Eslcerose Lateral Amiotrófica, APS1 - Síndrome Poliglandular Auto-imune.
22: DGS - Síndrome DiGeorge, BCR - Leucemia Mielóide Crônica, NF2 - Neurofibromatose.
X: PIG-A - Hemoglobinúria Noturna Paroxística, DMD - Distrofia Muscular de Duschenne, ATP7A - Síndrome de Menkes, IL2RG - Imunodeficiência Severa Combinada Associada ao Cromosoma, XFMR1 - Síndrome do X frágilMe, CP2 - Síndrome de Rett, ALD - Adrenoleucodistrofia.
Y: SRY (TDF) - Fator Testis-determinante.
Quais são os motivos mais comuns para se fazer um aconselhamento genético pré-natal?
- Idade materna acima de 35 anos na gestação;
- Resultados anormais de um ultra-som fetal ou de avaliação bioquímica do risco fetal;
- História pessoal ou familiar de uma dosagem hereditária e/ou genética desconhecida ou suspeita, mal formação ao nascimento, ou anormalidade de cromossomos;
- A gestante tem uma condição médica conhecida ou suspeita que possa afetar o desenvolvimento fetal;
- Parentesco entre pais;
- Predisposição étnica para certas dosagens genéticas;
- Casais que tiveram exposição a teratógenos;
- Casais que tiveram filho natimorto ou neomorto sem explicação;
- Casais que tiveram filho morto e/ou tem um filho vivo com malformações ou doença metabólica, ou retardo mental de causa inexplicada;
- Casais inférteis;
- Duas ou mais perdas na gravidez.
- Resultados anormais de um ultra-som fetal ou de avaliação bioquímica do risco fetal;
- História pessoal ou familiar de uma dosagem hereditária e/ou genética desconhecida ou suspeita, mal formação ao nascimento, ou anormalidade de cromossomos;
- A gestante tem uma condição médica conhecida ou suspeita que possa afetar o desenvolvimento fetal;
- Parentesco entre pais;
- Predisposição étnica para certas dosagens genéticas;
- Casais que tiveram exposição a teratógenos;
- Casais que tiveram filho natimorto ou neomorto sem explicação;
- Casais que tiveram filho morto e/ou tem um filho vivo com malformações ou doença metabólica, ou retardo mental de causa inexplicada;
- Casais inférteis;
- Duas ou mais perdas na gravidez.
Como é feito o teste genético que serve de base para o aconselhamento genético?
Na maioria das vezes, o material para teste genético é recolhido através de amostras (cerca de 10 mL) de sangue, como em um exame de sangue de rotina. Os resultados levam de duas a 4 semanas para serem liberados. No caso de doenças mais raras, o intervalo entre a coleta do sangue e a divulgação dos resultados pode levar alguns meses.
Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1508924-EI6618,00-Aconselhamento+genetico+para+que+fazer.html
No Response to "Aconselhamento genético: para que fazer?"
Postar um comentário